Há quem acredite que sonhos têm prazo de validade. Que se não foram realizados aos 20 e poucos anos, não vale mais a pena tentar. Mas histórias como a da médica veterinária Débora Olindina Macedo Lopes mostram que não existe idade certa para mudar de direção. Existe vontade, coragem e, quase sempre, um momento decisivo em que a gente escolhe se continua ignorando aquele chamado interno ou se resolve, finalmente, dar ouvidos a ele.

Antes de seguir a carreira na veterinária, Débora se formou em Educação Física e atuou na área por alguns anos. Embora tivesse uma rotina estável, algo seguia incompleto. Desde a infância, ela sonhava em cuidar de animais, mas as oportunidades não vieram na hora em que o desejo surgiu. E o sonho, por um tempo, precisou ser guardado.
“Chega um ponto em que você se pergunta: é isso mesmo que quero levar até o fim da vida? E a resposta, pra mim, foi não. Decidi voltar a estudar, enfrentar todas as inseguranças e fazer o que sempre quis: cuidar de animais”, conta.
Aos 33 anos, ela ingressou na faculdade de Medicina Veterinária e concluiu o curso aos 37. A caminhada não foi simples. No último semestre, durante o estágio obrigatório, Débora perdeu o pai, em um dos períodos mais difíceis da sua vida. “Foi devastador. Pensei seriamente em desistir. Mas com o apoio da minha família, consegui seguir. Foi mais uma prova de que recomeçar exige força, mas também gentileza com o próprio tempo.”
Hoje, ela é fundadora da PetLândia, uma clínica veterinária com estrutura completa em Fortaleza. Atende com foco em clínica de pequenos animais, nutrição preventiva e se especializando em dermatologia, lidera uma equipe com mais de 15 colaboradores e segue se qualificando. Estuda inglês e tem o objetivo de cursar um mestrado fora do país. Sua história é, por si só, uma prova de que recomeçar é possível, mesmo quando o caminho exige tempo, ajustes e coragem.
“Eu costumo dizer que a gente não começa do zero quando recomeça. A gente carrega tudo que já viveu: as experiências, os erros, os aprendizados. Isso vira bagagem, não peso. Foi isso que me deu segurança para empreender e crescer aos 35.”

A frase “nunca é tarde para seguir seus sonhos” pode até parecer repetida. Mas, na prática, ela representa a experiência de muitas pessoas que, como Débora, decidiram romper com uma rotina que já não fazia sentido. Recomeçar não é só possível. Muitas vezes, é necessário.
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