A segunda metade do ano é o momento ideal para começar a se preparar para as despesas obrigatórias que surgem no início de 2026. Entre elas está o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores, o IPVA.
Pago anualmente por proprietários de veículos em todo o Brasil, o tributo pode apresentar variações significativas de um ano para outro. Os condutores podem se surpreender com aumentos ou reduções no valor cobrado, mas essas oscilações têm explicações baseadas em critérios técnicos e econômicos.
O IPVA de 2026 pode ser diferente do valor do IPVA de 2025, pois diferente do que se imagina, seu valor não é fixado arbitrariamente. Ele depende de uma série de fatores, como o valor de mercado do veículo, definido pela tabela Fipe, a alíquota aplicada pelo estado e até mesmo o comportamento do mercado automotivo.
Tabela Fipe: referência principal no cálculo
A Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) elabora mensalmente uma tabela que estipula os preços médios de venda de veículos no mercado nacional. Essa tabela é a base utilizada pelos estados para calcular o IPVA. A cada fim de ano, os Detrans e as Secretarias da Fazenda consultam os dados da Fipe para estabelecer o valor venal de cada veículo.
Se um automóvel sofreu valorização, seja por aumento na procura, baixa oferta ou atualizações de mercado, o IPVA do ano seguinte tende a subir. Da mesma forma, se o modelo foi desvalorizado, seja por idade, baixa demanda ou lançamento de versões mais modernas, o imposto pode apresentar redução.
Alíquota varia de estado para estado
Outro fator determinante no valor do IPVA é a alíquota estadual, ou seja, o percentual aplicado sobre o valor venal do veículo. Essa alíquota é definida por cada governo estadual e pode variar entre 1% e 4%, conforme o tipo de veículo e a política fiscal local.
Em São Paulo, por exemplo, a alíquota é de 4% para carros de passeio, enquanto em estados como Santa Catarina e Espírito Santo, o percentual pode ser de 2%. Motocicletas, caminhões e veículos utilitários geralmente têm alíquotas menores, o que também impacta diretamente no valor final do imposto.
Tipo e ano do veículo também fazem diferença
Modelos mais novos costumam ter valores de mercado mais altos, o que resulta em IPVA mais elevado. Com o passar dos anos, à medida que o veículo se desvaloriza, o imposto também tende a diminuir. Em muitos estados, há isenção automática para veículos com mais de 10, 15 ou até 20 anos de fabricação.
Além disso, veículos elétricos ou híbridos, em alguns estados, recebem incentivos fiscais, como alíquotas reduzidas ou até isenção total. Essa medida busca estimular a adoção de tecnologias mais sustentáveis.
Mercado automotivo influencia os preços
Nos últimos anos, o mercado de veículos usados sofreu oscilações que impactaram diretamente os valores do IPVA. Durante a pandemia, por exemplo, a escassez de peças e o aumento na demanda por carros seminovos fizeram com que modelos antigos fossem valorizados. Isso se refletiu em IPVA mais caro para muitos proprietários, mesmo sem mudança no modelo ou estado do veículo.
Por outro lado, a normalização do setor e o aumento da oferta de veículos novos têm gerado, em algumas regiões, queda nos valores de mercado, o que se reflete em um imposto mais leve no bolso do contribuinte.
Combinação de fatores
O valor do IPVA é resultado de uma combinação de fatores econômicos e administrativos que vão muito além do controle direto do proprietário. Desde a cotação do veículo na tabela Fipe até as decisões fiscais de cada estado, tudo pode influenciar na conta final.
Estar informado sobre esses critérios é uma forma de evitar surpresas e planejar o orçamento com mais eficiência. Para quem deseja se antecipar, acompanhar as atualizações da tabela Fipe e as mudanças nas alíquotas estaduais pode ser um bom caminho rumo a um início de ano mais organizado financeiramente.